O dia que vi
Hoje, numa quase esquina de uma rua que finda até ao meu olhar se perder, entreiEntrei numa grande porta,mas por dentro tudo muito pequenino
Coladas na parede, peles
Fui buscar a minha pele que se foi desfiando ao longo dos dias
por estas calçadas turbulentas.
Lá estava ele.Sentado na sua pequenina quase secretária, onde descarna as peles, com graxa preta e uma escova que se perdeu nos dias contados.
Lá estava ele. De oculos tocando a ponta do nariz, não escondendo os seus olhos azuis.
Perguntou-me quais das imensas peles que se atropelam no silêncio era a minha.
Aquela.
Um par de peles, a brilhar, com a sua forma perfeita,sem fios a tocarem o chão, sem mostras da sua intimidade que outrora fora devastada pelo caminhar perpetuo.Tocou-lhes, tocou.
Num instante de uma grandeza surda, lá estava ele, a tocar.
Os seus maneirismos retocantes, a escova precisa nas linhas de um negro profundo.
Ele tocava violino sem sabê-lo